Existem manhãs que já se levantam em devaneios chuvosos, que perfuram a alma e devoram o coração. A mão ensanguentada, ainda insiste naquele murro torto na ponta afiada, procurando a cura.
No meu peito há milhões de lagartas esperando pra voar como borboletas, mas a cada dia que passa, mais uma morre sem conseguir se libertar, e as poucas que conseguiram voar alguns segundos deram de cara no fogo cruzado.
Nesse coração existem maravilhas escondidas e perdidas nos espinhos que insistem em sufocá-los que fazem morada e se espalham como erva daninha em cada noite fria.
Mas quantos murros essa mão dilacerada ainda aguenta sem se perder completamente, quantos cortes ainda suporta até aprender a não se machucar sozinha? Quanta dor ainda dá pra aguentar.
Não me tira da minha solidão por alguns segundos, porque eu sempre volto mais fundo dentro dela, não me segura se for me soltar, não me puxe se for me deixar.
Me dê mais um drink, pra sentir queimar de uma vez e estancar a dor, me dê mais um cigarro, pra cada tragada matar os espinhos. Só não me dê um ultimo beijo, porque mais uma borboleta morre dentro de mim.


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